segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Pr'onde todos irão.

Primeiro serão os crentes,
depois os céticos,
os mais sábios também
não restarão sequer os gênios.
Sucumbirão todos ao peso da ignorância
se afogarão na maré de informações
desconexas, desconcertadas.
No outro extremo lá estarão
os que se julgaram reis da liberdade,
guardiões do bom senso e da moralidade,
desprovidos de más intenções,
cheios daquelas velhas recordações
dos bons heróis das revoluções.
Irão também os perspicazes,
astutos e inexoráveis,
cheios de razão e razoabilidade,
prontos pra encarar frente a frente
aos que caminhavam lado a lado.
Lá chegarão também estes
com suas bandeiras em estandarte,
alucinados por serem hegemônicos,
prontos para dar um passo a frente
e deixar pra trás seus maiores reforços.

E então celebrarão todos,
nos dias mais quentes da incoerência
nas noites mais frias da soberba,
quando intempestivamente retornarão
a esse inferno de água, terra, fogo e ar
de onde nunca conseguiram se libertar.

terça-feira, 17 de novembro de 2015

O meu lugar no mundo

Sempre que eu participo de atividades de grande porte do Movimento Estudantil (em especial do secundarista) e me deparo com tanta diversidade me coloco à reflexão.

Pra lutar por um mundo mais justo pra todos e todas precisamos antes de tudo de reconhecer o lugar que ocupamos na sociedade. Nunca passei fome, sempre tive acesso à cultura e ao lazer, à uma boa educação (ainda que em escola pública, mas federal), uma família bem estruturada e especialmente pais que me deram boas condições de formação durante toda minha vida. Sou, homem, branco e hétero, por isso nunca sofri nenhum tipo de discriminação significativa em minha vida.

Mas acreditar em dias melhores vai muito além do que somos nós mesmos. É enxergar no outro as possibilidades do que melhor a vida tem a oferecer. É querer mais do que sua própria felicidade, é querer bem às pessoas ao seu redor. Reconhecer nossos próprios privilégios não é e não deve ser uma barreira que nos impeça de querer acabar com eles, pois numa sociedade onde são dadas condições e oportunidades justas a todos não haveria privilégios.

Se reconhecer é também saber de onde partir e pra onde ir no curso das lutas políticas. Não preciso ser pobre pra lutar pra lutar contra a má distribuição de renda, não preciso ser mulher pra lutar contra o machismo, nem negro pra lutar contra o racismo ou LGBT pra lutar contra a LGBTfobia. Tampouco conseguirei compreender dentro da minha realidade individual as opressões que a sociedade exerce sobre quem se encaixa nessas características (Obviamente levando em consideração o recorte de classe).

Quem se finge de pobre pra dar cabo à luta anti-capitalista, ou quem diz que os homens são tão vítimas do machismo como as mulheres, por exemplo, não compreendem seu lugar na luta política e tentam se auto-identificar de uma maneira que não representa a experiência que lhe deu formação. Aqueles que tem privilégios jamais saberão as dores dos que sofreram por não tê-los, e tentar colocar-se no lugar dos oprimidos é, não só um equívoco, mas um desrespeito.

Por isso mantenho minha militância de queixo erguido e peito aberto. Reconheço meu lugar, de onde vim e pra onde quero ir. Mas sobretudo respeito quem não teve as mesmas condições que tive. E sei que só contemplando toda essa diversidade de vivências e experiências poderemos construir uma teoria, e consequentemente, uma luta prática que nos encaminhe pro enfrentamento concreto e pro desenvolvimento real de uma sociedade mais justa e igualitária.

Por isso cada vez que a militância da UJS se reúne eu me emociono. São brancas/os, negras/os, pardas/os, indígenas, da periferia, do centro, do interior, do sul ao norte/nordeste, heterossexuais, LGBTs. E são pessoas que, sobretudo, tem espaço na discussão e na formulação de nossa política, e esse sem dúvidas é um dos elementos mais fortes pra se ter uma leitura mais refinada das complexidades de nosso mundo.

Ser da UJS é ser você mesmo e ser vários e várias ao mesmo tempo.

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Bocas, tantas bocas Falam o que querem e se beijam loucas Sabem aonde ir Tão livres, tão soltas Dessas que nos acenam São umas e outras Mas assim como a sua Ah, essas são poucas
Dura condição de amar E ser amado Suplicia de saber conjecturar E sentir esse fardo Complicações transcendentais Entre o certo e o duvidoso E entre amores tais Haverá um mais bondoso? Se meu coração acelera Justamente quanto te vê Se contrai e aperta Quando não entende o querer Se em uma linha, dois pontos Entre meu amor e o seu Já tenho medo dos sonhos Que vão além do que pode ser meu

domingo, 4 de outubro de 2015

os caminhos do acaso
talvez nos levem além do ocaso,
e em cada encontro uma chance
de ser algo mais que um instante

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

olhar não mata
nem arranca pedaço
são só seus olhos
mas não de quem sente
olhares que são lâminas
afiadas ao fio do desejo
marcadas pelo veneno da vontade
com a ponta perfurante da virilidade
perfura o espírito
rasga o ego
espalha o receio pelo sangue
e eriça o pelo cheio de medo

olhar não mata
até que morra
aquela olhada
até que perca um pedaço de si
com um buraco no peito perfurado
A extenuante vontade de escrever,
a irretocável necessidade de expressar,
a incrível capacidade de enlouquecer,
e num emaranhado de letras, se jogar.
Sinto falta das pessoas que não conheci
nas vidas vividas que não vivi
nos lugares por onde não andei
e tantas coisas que não fiz e não sei

se eu fizesse quem sabe
uma vida só não me cabe
queria mesmo era ser dois
pra viver e viver sem me arrepender depois

sábado, 11 de julho de 2015

O Papel da UNE na defesa da democracia brasileira

Tem se tornado cada vez mais nítido que vivemos um momento turbulento na política de nosso país. Para os jovens da nossa geração, que nasceram ou cresceram já envoltos por uma democracia, que apesar de nova teve na última década sinais de uma sólida ascensão, o cenário atual pode parecer inédito, e ainda, pela confiança que se criou diante do desenvolvimento das relações democráticas, as conjecturas que apontam uma séria preocupação com os próximos episódios da política brasileira podem também, na mentalidade de muitos, soar como uma mera ilusão ou exagero.

Pois bem, uma das funções fundamentais que a história exerce para o indivíduo que vive em sociedade é a de, refletindo sobre seu passado, esse sujeito tenha condições de orientar-se no presente, compreender como as relações sociais se formaram, e como chegaram a ser o que são hoje. No mundo material nada é estático, eterno ou "a-histórico". Somos, portanto, frutos de processos, de acúmulos, de experiências, que no desenrolar do tempo constroem, e continuam a construir a cada momento, as nossas relações materiais, econômicas, sociais e também políticas. E nesse sentido, torna-se impossível a avaliação de qualquer fenômeno presente (que é por si só é tempo contínuo) ou mesmo de um passado mais recente, sem antes considerarmos os seus antecedentes.

Os constantes ataques e tentativas de desestabilização da democracia e de um governo legal e constitucionalmente estabelecido que vemos hoje no Brasil não são novidade, tampouco surgiram espontaneamente num momento recente. O exemplo mais simbólico disso, e é uma lástima que um número ainda insuficiente de brasileiros tenha o conhecimento desses fatos, é o Golpe Militar de 1964, que através do protagonismo das forças militares colocou abaixo o estado democrático de direito e instalou uma terrível e sangrenta ditadura por duas décadas. Mas eu poderia também citar os eventos que precederam e levaram ao suicídio de Getúlio Vargas em 1954, pressionado por oposicionistas que articulavam um golpe para derrubá-lo.

De lá pra cá outros momentos geraram instabilidade na política brasileira, seja através de crises econômicas ou articulações golpistas de setores oposicionistas e com apoio midiático. Mas um dos elementos que cria uma intrínseca relação entre esses fatídicos episódios é, ao mesmo tempo, por um lado a defesa irrefutável que entidades históricas dos movimentos sociais fazem da democracia, e por outro a tentativa dos setores golpistas ou de seus sustentadores de enfraquecê-las ou deslegitimá-las. Não atoa recentemente quem ocupa um dos mais importantes postos de poder da democracia brasileira tem proferido ataques infundados e ameaças à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), uma das organizações da sociedade civil que mais tem páginas em seu currículo quando se trata de defesa do povo e da democracia brasileira.

Assim, quero aqui me deter a avaliação de uma outra entidade, que nesse mesmo sentido não poderia escapar das pechas e ataques de golpistas, porque também apresenta uma história de comprometimento com a luta do povo e a defesa da democracia em nosso país. A União Nacional dos Estudantes, que completa nesse ano 78 anos desde sua fundação, esteve, nesse tempo, presente em períodos importantes da história do Brasil sob as marcas da organização e da luta dos estudantes e da juventude, categorias que estarão sempre, e inevitavelmente, nos fronts das batalhas políticas em qualquer lugar do mundo, e a UNE é justamente uma prova disso.

José Serra em atividade da UNE quando presidente da entidade.
Em qualquer momento, em que minimamente tentassem questionar a importância da democracia e da soberania nacional, lá estava a UNE, munida de seu caráter jovial e seu espírito revolucionário a defender nossa nação, com convicção e sem nenhum receio. É este o fim que lhe importa. Dessa maneira, lancemos nossos olhares ao inicio da década de 1960, quando João Goulart tornara-se Presidente da República, numa difícil e turbulenta conjuntura que o amaldiçoaria por todo seu - incompleto - mandato. Seria impossível fazer referência ao desenrolar dos acontecimentos que marcaram esse processo sem falar na União Nacional dos Estudantes, em todo seu conjunto - suas bases e entidades, bem como os estudantes que a compunham  - e em nome de dois presidentes que acompanharam com mais proximidade os abalos que a democracia brasileira sofreria nesses anos, Aldo Arantes e José Serra.

Ambos continuam sendo personagens importantes na política nacional dos dias presentes em suas respectivas atribuições, ainda que sob matizes ideológicos e posturas bem diferentes. Ambos escreveram recentemente auto-biografias¹ onde contam, dentre outros passos de suas trajetórias, o momento ao qual me reservo aqui comentar: o governo de João Goulart e o pré-golpe. Apesar das diferenças, o que se nota é que em qualquer uma das duas descrições fica evidente o repúdio ao golpismo naquele momento e a articulação com participação fundamental da União Nacional dos Estudantes na tentativa de impedir que aquela tragédia se consolidasse. Aldo participou da cadeia da legalidade, ao lado de Brizola percorreu o Brasil para enfrentar a pecha golpista e dar suporte às políticas progressistas defendidas por Jango.  Serra, já mais próximo ao golpe militar em vias de fato, esteve também em inúmeras situações ao lado do presidente constitucionalmente eleito, de Brizola, de outras figuras políticas de esquerda, da CGT e outros movimentos sociais.

Aldo Arantes durante sua gestão como presidente (1961-62)
Ainda que a UNE tivesse a simpatia e o apoio irrestrito de muitas figuras políticas notórias e movimentos sociais, inclusive do Presidente da República, não escapou dos ataques fascistas advindo sobretudo de grupos reacionários e conservadores da política brasileira e dos militares, mas também de um sentimento anti-esquerdista que havia se disseminado pelas massas - em especial da classe média - através do senso comum. Não por coincidência a UNE teve vários de seus congressos invadidos por militares, muitos de seus diretores ameaçados e logo no primeiro dia do golpe teve sua sede incendiada, numa ação que também contava com apoio de civis.

Na história da humanidade nada se repete de maneira idêntica, entretanto, nada pode ser completamente inédito, porque o tempo presente carrega em si o pesado fardo das experiências passadas. No mesmo sentido, pode se dizer que os homens e mulheres, apesar de construírem sua própria história, não a fazem como querem, senão dentro das determinações históricas. Essas são reflexões necessárias para se traçar qualquer comparação que se pretenda fazer com os dias atuais, afinal é no mínimo intrigante quando colocamos entrepostos o desenrolar da conjuntura política, econômica, social dos anos pré-golpe militar e o que acompanhamos hoje no Brasil. Mas que tenhamos claras as distinções das propriedades e particularidades de cada tempo.

Dentro desses aspectos devemos considerar que o que está acontecendo na política brasileira é: 1°- fruto de outras esferas determinantes da sociedade que são também, dialeticamente, influenciadas pela política, como a economia e a disseminação de certos valores morais; 2°- resultado de processos históricos que constituem o desenvolvimento da nação brasileira em suas várias faces, logo, tanto não pode ser inédito, como se assemelha a outros momentos de sua história por estar imerso em contextos globais com alguns elementos parecidos.

Em outras palavras, o que vivemos hoje no Brasil está muito próximo daquilo que viveram no inicio da década de 1960, ainda que o desfecho não seja o mesmo, posto que inúmeras outras condições interpõem essa possibilidade, como o próprio avanço da tecnologia, uma democracia mais sólida, forças armadas mais respeitosas. Todas essas condições porém, ainda assim não tiram por completo a demarcação golpista feita pelos setores conservadores e reacionários, que insistem em se opor à um projeto progressista, aliado aos consórcio de uma imprensa também golpista, que dissemina a desinformação, cria factóides e constrói acusações seletivas, além de alimentar os discursos de ódio e o senso comum que também embebem a população de um forte sentimento anti-esquerdista , embasados por anedotas e argumentações infundadas que não fazem o mínimo de sentido.

A União Nacional dos Estudantes, assim como em toda sua trajetória e no inicio da década de 1960, continua em defesa da democracia e da soberania nacional. Infelizmente temos que levantar hoje bandeiras que já eram erguidas há 50 anos atrás, mas talvez isso se faça ainda mais necessário. Como os estudantes defenderam o monopólio da exploração do petróleo pela Petrobrás, lutaremos contra as tentativas de sua privatização; como quando Aldo Arantes percorreu o Brasil em defesa do mandato de Jango, diremos que a Presidenta Dilma Roussef foi eleita nas urnas e tem seu mandato garantido legal e constitucionalmente; ou como quando José Serra falou à milhares sobre a importâncis das Reformas de Base dentro dos marcos da democracia, iremos às ruas lutar pela Reforma Política, pela Democratização da Mídia, pela Reforma Tributária, e tantas outras. A UNE como sempre, e talvez ainda mais do que nunca, tem um papel fundamental para nosso país, e segue a risca honrando sua tradição, não abaixaremos a cabeça jamais, nem para os golpistas e nem para os oportunistas, com convicção seguiremos defendendo nosso povo e nossa nação.


quinta-feira, 9 de abril de 2015

aos e às trabalhadores e trabalhadoras

é incrível,
chegamos a esse nível
se a prosa não ajuda
talvez a poesia contribua
é preciso ser sensível
pra enfrentar momento tão difícil
nesse país de povo forte
um ataque que pode levar à morte.
Deputado que não me desculpe
errou feio, errou rude
ou talvez nem seja erro
tá mais pra interesse, e desespero
de que esses eternos lutadores
continuem a superar suas dores.
Terceirização?
que diabo, é pior que o cão
maltrata o homem e a mulher
é um salve-se quem puder
mas a que ponto chegamos
mesmo depois de tantos avanços
ter que ver nosso povo sofrer
pra burguês poder bem-viver
foram décadas de muita luta
pra ser mais humana nossa labuta
e se depois de tanto tempo
de um povo ousado e atento
essa tal elite podre e descarada continua
e a resposta, como sempre foi, será: rua!





quarta-feira, 8 de abril de 2015

Tempos nebulosos.


Ontem, em várias capitais do Brasil, mas com expressão máxima em Brasília, no Congresso Nacional, onde se votava o requerimento de urgência para o Projeto de Lei das Terceirizações (PL 4330/04), as movimentações das centrais sindicais, da UNE, dos sindicatos e outros movimentos sociais, nos chamou mais uma vez à necessidade de refletir sobre o momento político que vivemos.

Talvez a melhor declaração que li até agora acerca desses episódios tenha sido da Deputada do PCdoB, Jandira Feghali, que diz: "Clima tenso no Parlamento durante protesto de trabalhadores contra precarização prevista no PL 4330. Truculência contra trabalhador! Como se viu, nenhum manifestante a favor do golpe surgiu para defender os trabalhadores da precarização do PL 4330. Nenhuma 'camisa da CBF', nada. As centrais se mantiveram presentes, firmes, na luta pelos direitos de todos. O PCdoB também".

Essa é, sem dúvidas, uma das batalhas mais arduas e mais importantes que os/as trabalhadores/as enfrentam atualmente. E elucidam com maior nitidez o enfrentamento ideológico que está se estabelecendo entre campos distintos da população brasileira, e nos desafia ainda mais à compreensão das articulações no governo brasileiro.

Disso, podemos tirar três constatações:

1- O PL das Terceirizações é um ataque tremendo e bizarro aos trabalhadores, que além de atingir diretamente aos seus direitos que regem os serviços aos quais dedicam a maior parte da sua vida - seu emprego - ainda afetam um dos valores simbólicos mais fortes da classe trabalhadora, que são a conquista e a sustentação histórica desses mesmos direitos.

2- Fica claro a divergência de interesses dos que estiveram na rua no dia 13 de Março e dos que estiveram no dia 15 (inclusive apoiados por Deputados que são favoraveis ao PL4330). Quem de fato está em defesa dos trabalhadores e do povo pobre? (e não preciso nem falar do nem-nem, que se não estiveram nem do dia 13 e nem no dia 15, muito menos estiveram nas ruas contra o PL das terceirizações)

3-Existe hoje um congresso de conservadorismo tremendo, que tem atacado sistematicamente direitos adquiridos. É triste pra quem nos últimos anos lutava por cada vez mais avanços, ter agora que resistir contra retrocessos. Congresso esse articulado sobretudo pelo PMDB - e aliados, bem como forças políticas não partidarizadas, empresários, imprensa, etc -, que se tornou um verdadeiro Kraken (aquele monstro marinho mitológico gigantesco com tentáculos) que estende seus tentáculos à todas instituições, na tentativa de obter o controle total do poder político no país e desestabilizar o governo, e as forças progressistas.

Os movimentos sociais tem tentado dar o seu recado, com o último artificio que ainda resta à luta das massas estudantis e trabalhadoras: a rua. Afinal, na comunicação se estabelece um monopólio duro como diamante e difícil de se quebrar (também um Kraken, só que esse com pele de titânio) e um congresso com maioria conservadora, sem representação dos grupos marginalizados e oprimidos. Afinal, onde está o governo eleito pelo projeto progressista e de esquerda vencedor nas urnas em outubro de 2014? Essa que poderia ser nossa maior e mais poderosa ferramenta, se mostra cada vez mais acuada e inundada por articulações que ultrapassam os limites da necessidade e que nos fazem refletir até mesmo sobre possíveis conveniências.

segunda-feira, 30 de março de 2015

quero ouvir-te
tão alto
que é pra ver
se me calo.
de tão inseguro
acabou-se o futuro.

poeta

se eu tivesse a calma
daquele poeta
teria na minha palma
mais que uma moeda

verão

eu verão
você inverno
quando menos espero
estou no inferno

quinta-feira, 26 de março de 2015

Homenagem a uma menininha

Onde estás agora
Doce pequena?
Pela eternidade, Brilhará serena
Tiveras o coração grande
Suficiente pra nos ensinar
Qualquer coisa sobre amar
Sobre revolucionar,
E na ingenuidade da infância
Nos deu lições de tolerância
Mais do que a saudade
Que aperta em nosso peito
Fica o valor do respeito
Pra mim és inspiração
Tens por toda vida lugar em minh'alma
as lembranças e a falta